sábado, 15 de agosto de 2015

EUA reabrem embaixada em Cuba depois de 54 anos de rompimento

Secretário de Estado americano foi à Havana para a cerimônia.
Barreira política entre os dois países começou em janeiro de 1961.

Fabio Turci Nova York, EUA
Na sexta-feira (14), os Estados Unidos reabriram a embaixada em Cuba, mas as relações entre os dois países ainda estão bem distantes da normalidade.
Na embaixada americana, a bandeira no alto demarca o território da relação diplomática. Já nas ruas de Havana, o que simboliza a reconciliação é estar não acima mas ao lado da bandeira de Cuba e, olhando para as duas próximas, com listras, estrelas e com as mesmas cores, não é que até se parecem?
O povo em Havana celebrou a proximidade, mas, nos Estados Unidos, cubanos que vivem em Miami protestaram. É o retrato de uma reaproximação cheia de diferenças.
O secretário de Estado americano, John Kerry, foi à Havana para a cerimônia, elogiou a retomada do diálogo, mas criticou o regime cubano: "O povo de Cuba seria melhor atendido por uma democracia genuína, onde as pessoas são livres pra escolher seus líderes e onde há mais compromisso com a justiça econômica e social".
O ministro cubano de Relações Exteriores, Bruno Rodrigues, devolveu: "Cuba se sente muito orgulhosa por garantir o exercício pleno dos direitos humanos".
O rompimento entre os dois países foi em janeiro de 1961, pouco depois da Revolução Comunista que levou Fidel Castro ao poder. Em plena Guerra Fria, a União Soviética conquistava um aliado no quintal dos Estados Unidos.
Desde que EUA e Cuba anunciaram a retomada das relações diplomáticas, em dezembro do ano passado, o governo americano facilitou a importação de alguns produtos cubanos, retirou Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo, autorizou algumas categorias de profissionais a viajar pra ilha sem ter que pedir autorização.
Mas turista ainda não pode ir dos EUA para Cuba e o embargo econômico continua valendo. Só pode ser derrubado pelo Congresso americano.

tópicos:

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Papa Francisco recebe presidente cubano Raúl Castro para retomada das relações diplomáticas

Encontro privado durou quase uma hora, o que é bastante para os padrões diplomáticos do Vaticano
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
  
O presidente de Cuba, Raúl Castro, foi recebido no domingo (10) pelo papa Francisco, que mediou um acordo entre Havana e Washington para a retomadas das relações diplomáticas. O encontro privado durou quase uma hora, o que é bastante para os padrões diplomáticos do Vaticano.
Ao sair, Castro disse a jornalistas que agradeceu Francisco “pelo que ele fez”, referindo-se à intermediação com os EUA. O papa, que é argentino e conversou com o presidente cubano em espanhol, estava de bom humor.
Presidente de Cuba, Raúl Castro, se reuniu com o Papa Francisco no Vaticano.(Foto: Vincenzo Pinto/AFP)
“Acho que arruinei o domingo de vocês”, brincou com os jornalistas. Ele deu a Castro uma medalha de São Martinho de Tours. “Com seu manto ele cobre os pobres”, disse o pontífice ao líder cubano.
O irmão de Raúl, Fidel, que governou Cuba por décadas, havia se encontrado com o papa João Paulo II no Vaticano em 1996, abrindo caminho para a visita do líder católico à ilha em 1998. O antecessor de Francisco, o papa Bento XVI, também esteve em Havana.
Já no sábado (9), na capital cubana, a filha de Rául Castro, Mariela, apoiou uma cerimônia de união entre casais homossexuais, mesmo o casamento gay sendo proibido na ilha. Mariela dirige o Centro de Educação Sexual, que tem defendido os direitos dos gays, e o evento faz parte das preparações para o Dia Global contra a Homofobia, em 17 de maio.
Embora Mariela tenha sido cuidadosa para não chamar a cerimônia de “casamento”, duas dezenas de casais gays receberam as bênçãos de clérigos protestantes vindos dos EUA e Canadá. Ela não participou pessoalmente do evento, mas liderou uma caminhada pelos direitos dos homossexuais

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Obama e Raúl Castro dão aperto de mão durante a Cúpula das Américas

Na abertura da cúpula, na noite de sexta-feira (10), todos os olhos estavam voltados para o momento histórico entre líderes de Cuba e Estados Unidos.

Hélter DuarteCidade do Panamá, Panamá
A reaproximação diplomática entre Cuba e os Estados Unidos e as severas críticas às violações de direitos humanos na Venezuela dominam a Cúpula das Américas, no Panamá.
Pela primeira vez, os 35 países do continente participam do encontro. Na abertura da cúpula, na noite de sexta-feira (10), todos os olhos estavam voltados para Cuba e Estados Unidos. O aperto de mão de Barack Obama e Raúl Castro é o símbolo da reaproximação.
Na noite de sexta (10), o americano John Kerry e o cubano Bruno Rodriguez conversaram por mais de duas horas em um hotel, na Cidade do Panamá. Foi o primeiro encontro entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países desde 1958.
Um assessor da Casa Branca afirmou que a tão aguardada reunião entre Barack Obama e Raúl Castro deve ocorrer só no sábado (11), às margens da cúpula.
Outro tema importante são as violações de direitos humanos na Venezuela, denunciadas por 25 ex-líderes ibero-americanos numa declaração, que exige a libertação imediata de prisioneiros políticos.
O governo brasileiro vai aproveitar a cúpula para uma reaproximação com os Estados Unidos. As relações andam mornas desde que a presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado a Washington, em setembro de 2013, por causa da denúncia de que ela foi espionada pela NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
O encontro entre Dilma e Obama está confirmado para a tarde de sábado (11). A visita de trabalho da presidente brasileira aos Estados Unidos deve acontecer em junho ou julho deste ano.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

UNESCO: Cuba é único país latino-americano a atingir objetivos de educação

atualizado às 22h48

Na América Latina e no Caribe, apenas Cuba atingiu os seis objetivos de Educação para Todos da UNESCO no período 2000-2015, informou nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.
Quinze anos após o lançamento, em Dakar, da iniciativa Educação para Todos, a missão fixada pela UNESCO não foi cumprida, apesar de alguns progressos.
"Apenas um a cada três países do mundo atingiu a totalidade dos objetivos mensuráveis da Educação para Todos (EPT) estabelecidos no ano 2000", destaca o relatório de acompanhamento do programa, assinalando que "na América Latina e no Caribe, Cuba foi a única nação a cumprir estes objetivos".
O principal objetivo - a escolarização universal de todas as crianças em idade de cursar o ensino fundamental - foi atingido por apenas a metade dos países, tanto na América Latina como em todo o mundo, destacou a UNESCO, um mês antes do Fórum Mundial de Educação em Incheon, na Coreia do Sul.
"Mas em todo o mundo foram registrados progressos impressionantes", destacou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. "Conseguimos o ingresso no ensino fundamental de milhões de crianças que não estariam lá se persistissem as tendências predominantes na década de 90".
"Para que a universalização da educação chegue a ser uma realidade, é necessário adotar estratégias específicas e financiá-las adequadamente para dar prioridade às crianças mais pobres, especialmente às meninas, visando melhorar a qualidade do ensino e reduzir as diferenças no grau de alfabetização", acrescentou Bokova.
O relatório assinala que serão necessários 22 bilhões de dólares anuais para completar as contribuições previstas pelos governos visando garantir o sucesso dos novos objetivos em matéria de educação para o período 2015-2030.
Segundo o relatório, mais da metade dos países da região conseguiram a universalização do ensino fundamental, "mas ainda há 3,7 milhões de crianças sem escolarização".
"Mais de um quinto dos alunos do ensino fundamental da região abandonam a escola antes de terminar este ciclo de aprendizado" e esta situação "não sofreu qualquer mudança desde 1999".
"Os índices de analfabetismo caíram em 26% em toda a região, um percentual muito distante dos 50% previstos neste objetivo", assinala a UNESCO, que estima que apenas Bolívia, Peru e Suriname "vão atingir a meta estabelecida".
A UNESCO estima em 33 milhões o número de adultos "que carecem de conhecimentos básicos de leitura e escrita" na América Latina, "sendo 55% mulheres".
O relatório emite uma série de recomendações, entre elas a obrigação de se "cursar um ano de ensino pré-escolar no mínimo", uma "educação gratuita que deve abranger cadernos, livros, uniformes e transporte escolar", a aplicação dos "convênios internacionais sobre idade mínima" para o trabalho, a adequação das políticas de alfabetização às "necessidades das comunidades" e a redução das "disparidades de gênero em todos os níveis".
AFP    

sábado, 10 de janeiro de 2015



Marcado primeiro encontro EUA-Cuba sob silêncio de Fidel

por Abel Coelho de MoraisHoje2 comentários
Marcado primeiro encontro EUA-Cuba sob silêncio de Fidel
Fotografia © Reuters


Havana começou a libertar opositores políticos, uma das condições para o reatamento de relações diplomáticas com os EUA.

A primeira ronda de negociações entre os Estados Unidos e Cuba para a normalização das relações bilaterais irá realizar-se nos próximos dias 21 e 22 em Havana, foi ontem confirmado em Washington, fazendo-se o governo americano representar pela vice-secretária de Estado para a América Latina, Roberta Jacobson. O anúncio da data do encontro coincidiu com a notícia de terem sido libertados, pelo menos, 26 opositores ao regime castrista desde quinta-feira.
A libertação de 53 presos políticos do regime era uma das condições colocadas por Washington para o início das negociações para a normalização das relações EUA-Cuba. Washington não divulgou o nome das pessoas constantes da lista com o argumento de que poderia comprometer a sua libertação. As agências, citando meios da oposição cubana refugiada em Miami e elementos da ONG Senhoras de Branco, que apoia os presos políticos, indicavam que a maioria dos libertados cumpria penas de dois a cinco anos. O condenado a uma pena mais longa era o o músico de hip-hop, Angel Yunier Remon, que cumpria oito anos por ter escrito "Abaixo a Ditadura" numa parede da cidade onde vive, Bamayo.
Leia mais no epaper ou na edição impressa do DN