segunda-feira, 11 de maio de 2015

Papa Francisco recebe presidente cubano Raúl Castro para retomada das relações diplomáticas

Encontro privado durou quase uma hora, o que é bastante para os padrões diplomáticos do Vaticano
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
  
O presidente de Cuba, Raúl Castro, foi recebido no domingo (10) pelo papa Francisco, que mediou um acordo entre Havana e Washington para a retomadas das relações diplomáticas. O encontro privado durou quase uma hora, o que é bastante para os padrões diplomáticos do Vaticano.
Ao sair, Castro disse a jornalistas que agradeceu Francisco “pelo que ele fez”, referindo-se à intermediação com os EUA. O papa, que é argentino e conversou com o presidente cubano em espanhol, estava de bom humor.
Presidente de Cuba, Raúl Castro, se reuniu com o Papa Francisco no Vaticano.(Foto: Vincenzo Pinto/AFP)
“Acho que arruinei o domingo de vocês”, brincou com os jornalistas. Ele deu a Castro uma medalha de São Martinho de Tours. “Com seu manto ele cobre os pobres”, disse o pontífice ao líder cubano.
O irmão de Raúl, Fidel, que governou Cuba por décadas, havia se encontrado com o papa João Paulo II no Vaticano em 1996, abrindo caminho para a visita do líder católico à ilha em 1998. O antecessor de Francisco, o papa Bento XVI, também esteve em Havana.
Já no sábado (9), na capital cubana, a filha de Rául Castro, Mariela, apoiou uma cerimônia de união entre casais homossexuais, mesmo o casamento gay sendo proibido na ilha. Mariela dirige o Centro de Educação Sexual, que tem defendido os direitos dos gays, e o evento faz parte das preparações para o Dia Global contra a Homofobia, em 17 de maio.
Embora Mariela tenha sido cuidadosa para não chamar a cerimônia de “casamento”, duas dezenas de casais gays receberam as bênçãos de clérigos protestantes vindos dos EUA e Canadá. Ela não participou pessoalmente do evento, mas liderou uma caminhada pelos direitos dos homossexuais

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Obama e Raúl Castro dão aperto de mão durante a Cúpula das Américas

Na abertura da cúpula, na noite de sexta-feira (10), todos os olhos estavam voltados para o momento histórico entre líderes de Cuba e Estados Unidos.

Hélter DuarteCidade do Panamá, Panamá
A reaproximação diplomática entre Cuba e os Estados Unidos e as severas críticas às violações de direitos humanos na Venezuela dominam a Cúpula das Américas, no Panamá.
Pela primeira vez, os 35 países do continente participam do encontro. Na abertura da cúpula, na noite de sexta-feira (10), todos os olhos estavam voltados para Cuba e Estados Unidos. O aperto de mão de Barack Obama e Raúl Castro é o símbolo da reaproximação.
Na noite de sexta (10), o americano John Kerry e o cubano Bruno Rodriguez conversaram por mais de duas horas em um hotel, na Cidade do Panamá. Foi o primeiro encontro entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países desde 1958.
Um assessor da Casa Branca afirmou que a tão aguardada reunião entre Barack Obama e Raúl Castro deve ocorrer só no sábado (11), às margens da cúpula.
Outro tema importante são as violações de direitos humanos na Venezuela, denunciadas por 25 ex-líderes ibero-americanos numa declaração, que exige a libertação imediata de prisioneiros políticos.
O governo brasileiro vai aproveitar a cúpula para uma reaproximação com os Estados Unidos. As relações andam mornas desde que a presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado a Washington, em setembro de 2013, por causa da denúncia de que ela foi espionada pela NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
O encontro entre Dilma e Obama está confirmado para a tarde de sábado (11). A visita de trabalho da presidente brasileira aos Estados Unidos deve acontecer em junho ou julho deste ano.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

UNESCO: Cuba é único país latino-americano a atingir objetivos de educação

atualizado às 22h48

Na América Latina e no Caribe, apenas Cuba atingiu os seis objetivos de Educação para Todos da UNESCO no período 2000-2015, informou nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.
Quinze anos após o lançamento, em Dakar, da iniciativa Educação para Todos, a missão fixada pela UNESCO não foi cumprida, apesar de alguns progressos.
"Apenas um a cada três países do mundo atingiu a totalidade dos objetivos mensuráveis da Educação para Todos (EPT) estabelecidos no ano 2000", destaca o relatório de acompanhamento do programa, assinalando que "na América Latina e no Caribe, Cuba foi a única nação a cumprir estes objetivos".
O principal objetivo - a escolarização universal de todas as crianças em idade de cursar o ensino fundamental - foi atingido por apenas a metade dos países, tanto na América Latina como em todo o mundo, destacou a UNESCO, um mês antes do Fórum Mundial de Educação em Incheon, na Coreia do Sul.
"Mas em todo o mundo foram registrados progressos impressionantes", destacou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. "Conseguimos o ingresso no ensino fundamental de milhões de crianças que não estariam lá se persistissem as tendências predominantes na década de 90".
"Para que a universalização da educação chegue a ser uma realidade, é necessário adotar estratégias específicas e financiá-las adequadamente para dar prioridade às crianças mais pobres, especialmente às meninas, visando melhorar a qualidade do ensino e reduzir as diferenças no grau de alfabetização", acrescentou Bokova.
O relatório assinala que serão necessários 22 bilhões de dólares anuais para completar as contribuições previstas pelos governos visando garantir o sucesso dos novos objetivos em matéria de educação para o período 2015-2030.
Segundo o relatório, mais da metade dos países da região conseguiram a universalização do ensino fundamental, "mas ainda há 3,7 milhões de crianças sem escolarização".
"Mais de um quinto dos alunos do ensino fundamental da região abandonam a escola antes de terminar este ciclo de aprendizado" e esta situação "não sofreu qualquer mudança desde 1999".
"Os índices de analfabetismo caíram em 26% em toda a região, um percentual muito distante dos 50% previstos neste objetivo", assinala a UNESCO, que estima que apenas Bolívia, Peru e Suriname "vão atingir a meta estabelecida".
A UNESCO estima em 33 milhões o número de adultos "que carecem de conhecimentos básicos de leitura e escrita" na América Latina, "sendo 55% mulheres".
O relatório emite uma série de recomendações, entre elas a obrigação de se "cursar um ano de ensino pré-escolar no mínimo", uma "educação gratuita que deve abranger cadernos, livros, uniformes e transporte escolar", a aplicação dos "convênios internacionais sobre idade mínima" para o trabalho, a adequação das políticas de alfabetização às "necessidades das comunidades" e a redução das "disparidades de gênero em todos os níveis".
AFP    

sábado, 10 de janeiro de 2015



Marcado primeiro encontro EUA-Cuba sob silêncio de Fidel

por Abel Coelho de MoraisHoje2 comentários
Marcado primeiro encontro EUA-Cuba sob silêncio de Fidel
Fotografia © Reuters


Havana começou a libertar opositores políticos, uma das condições para o reatamento de relações diplomáticas com os EUA.

A primeira ronda de negociações entre os Estados Unidos e Cuba para a normalização das relações bilaterais irá realizar-se nos próximos dias 21 e 22 em Havana, foi ontem confirmado em Washington, fazendo-se o governo americano representar pela vice-secretária de Estado para a América Latina, Roberta Jacobson. O anúncio da data do encontro coincidiu com a notícia de terem sido libertados, pelo menos, 26 opositores ao regime castrista desde quinta-feira.
A libertação de 53 presos políticos do regime era uma das condições colocadas por Washington para o início das negociações para a normalização das relações EUA-Cuba. Washington não divulgou o nome das pessoas constantes da lista com o argumento de que poderia comprometer a sua libertação. As agências, citando meios da oposição cubana refugiada em Miami e elementos da ONG Senhoras de Branco, que apoia os presos políticos, indicavam que a maioria dos libertados cumpria penas de dois a cinco anos. O condenado a uma pena mais longa era o o músico de hip-hop, Angel Yunier Remon, que cumpria oito anos por ter escrito "Abaixo a Ditadura" numa parede da cidade onde vive, Bamayo.
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domingo, 28 de dezembro de 2014

EUA e Cuba: "iniciativa é avanço para interesses dos dois países"

Embaixada norte-americana no Brasil aponta mudanças para americanos e cubanos

O presidente Obama ainda precisa passar por obstáculos, mas contaria com ampla coalização para relaxar o fluxo de pessoas, dinheiro, produtos e serviços para Cuba. No último dia 17, em discurso simultâneo, os líderes dos dois países anunciaram a retomada das relações diplomáticas. O porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, em entrevista por e-mail ao JB, destacou que a iniciativa significa um avanço para interesses cubanos e norte-americanos, falou sobre mudanças que a ilha pode passar e também sobre os impactos na vida de americanos e cubanos, a partir deste primeiro passo.
Retomada de relações melhora posicionamento dos EUA no mundo, diz porta-voz
Retomada de relações melhora posicionamento dos EUA no mundo, diz porta-voz
"A decisão do presidente Obama de começar a normalizar as relações com Cuba avançará os interesses dos EUA e dos cubanos. As 11 milhões de pessoas que moram na ilha esperaram demais – mais de meio século – para realizar suas aspirações democráticas e estabelecer laços mais estreitos com o resto do mundo no século 21", comentou o porta-voz. 
Para a Embaixada, o anúncio é voltado para o futuro e para o valor das relações entre pessoas, aumento do comércio, das comunicações e de um "diálogo respeitoso". O porta-voz comentou que a medida pode ainda aumentar a capacidade norte-americana de ter um "impacto positivo" sobre acontecimentos na ilha e de ajudar a melhorar a vida dos cubanos, além de colocar empresas americanas em "pé de igualdade" e melhorar o posicionamento dos EUA no hemisfério ocidental e no mundo. 
"Em relação ao embargo, como disse o presidente Obama em seu discurso, 'à medida que essas mudanças forem acontecendo, aguardarei para envolver o Congresso em um debate sério e honesto sobre a suspensão do embargo'", ressaltou o porta-voz. "Com essas iniciativas que foram anunciadas pelo presidente Obama no 17 de dezembro, conclamamos Cuba a explorar o potencial de 11 milhões de cubanos, pondo fim a restrições desnecessárias em suas atividades políticas, sociais e econômicas". 
>> De olho na história, EUA e Cuba 'encerram' Guerra Fria
>> Cuba e as miragens da liberdade, por Mario Vargas Llosa
De acordo com a embaixada, o governo dos Estados Unidos adota medidas para aumentar o número de viagens, o volume de comércio e o fluxo de informações de e para Cuba. Para os americanos, será mais fácil viajar para Cuba e usar cartões americanos de crédito e débito durante as viagens. O valor em dinheiro que pode ser enviado à ilha também está sendo aumentado de "maneira significativa" e os limites de remessas relacionados a projetos humanitários e ao setor privado de Cuba estão sendo removidos. 
Transações autorizadas entre EUA e Cuba também serão facilitadas e instituições financeiras americanas poderão abrir contas em instituições financeiras cubanas, além de ficar mais fácil, para os exportadores americanos, vender produtos em Cuba. A embaixada salienta ainda que a "intensificação" de conexões de telecomunicações entre os países foi autorizada e que as empresas poderão vender produtos que permitam a comunicação de cubanos com os Estados Unidos e outros países.
"Por fim, será o povo cubano que conduzirá as reformas econômicas e políticas. É por isso que o presidente Obama tomou a iniciativa de aumentar o fluxo de recursos e informação para cidadãos cubanos comuns em 2009, 2011 e hoje. O povo cubano merece o apoio dos Estados Unidos e de toda uma região comprometida em promover e defender a democracia por meio da Carta Democrática Interamericana", conclui o porta-voz.
O JB entrou em contato com a Embaixada de Cuba no Brasil, mas a embaixadora não estava disponível para entrevistas.
 
Tags: castro, Cuba, embargo, Estados Unidos, Obama

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Cuba abre primeiro centro para tratar idosos com Alzheimer

postado em 26/12/2014 16:07
 
Cuba abriu o primeiro centro para idosos com Alzheimer, doença da qual padecem 130.000 cubanos, como parte de um plano para encarar o envelhecimento da população, informou um funcionário desta sexta-feira.
"Foi aberta de forma experimental uma Casa de Avós no município Playa (no oeste de Havana), destinada a adultos idosos com deterioração cognitivo e demência", destacou Alberto Fernández, chefe do Departamento do Adulto Idoso do Ministério de Saúde Pública, citado pelo jornal oficial Granma.
Nas casas dos avós, os idosos padecem durante o dia, mas às noites voltam para as casas de suas famílias.
"Em Cuba, cerca de 130.000 pessoas sofrem de Alzheimer", uma doença que faz perder a memória e a linguagem de forma progressiva e que até agora não tem cura, disse Fernández.
Esta cifra "aumentará", "daí que estes centros se estendam depois a todo o país", acrescentou.
O Granma noticiou que este novo centro faz parte de um conjunto de medidas aprovadas pelo governo de Raúl Castro para "melhorar o cuidado que se dá nas Casas de Avós e Lares de Anciãos em todo o país, como passo inicial de uma estratégia integral" diante do envelhecimento da população.
As medidas contemplam a reconstrução e o reparo de casas de avós e lares de idosos, alguns dos quais mostram uma avançada deterioração.
Com 11,1 milhões de habitantes, Cuba possui uma das populações mais envelhecidas da região, por uma baixa natalidade, maior expectativa de vida e um permanente fluxo de emigrados, particularmente de adultos jovens.
A ilha tem agora 2,4 milhões de pessoas maiores de 60 anos, 18,3% da população, mas superará em 35% até 2045, o que implica "um dos maiores desafios" que enfrentará a ilha nos campos da economia e saúde pública, segundo Granma.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Parlamento cubano ratifica acordo com Estados Unidos

Raúl Castro presidiu a reunião focada na renovação das relações da ilha comunista com os EUA

 

O Parlamento cubano ratificou hoje (19) por unanimidade o acordo alcançado entre Havana e Washington para normalizar as relações entre os dois países, após mais de meio século de hostilidade.
"O Parlamento cubano deu hoje apoio unânime" ao acordo bilateral anunciado quarta-feira (17), durante discurso do presidente de Cuba, Raúl Castro, segundo noticiou a agência de notícias cubana Prensa Latina.
Raúl Castro presidiu hoje a reunião semestral do Parlamento cubano, em sessão focada na renovação das relações da ilha comunista com os Estados Unidos.
O embargo contra Cuba foi imposto pelos Estados Unidos em 1962, depois de fracassada invasão da ilha conhecida como Baía dos Porcos, para tentar derrubar o regime de Fidel Castro.
Ainda na quarta-feira, os Estados Unidos libertaram os últimos três membros do grupo conhecido como os Cinco de Cuba, condenados em 2001 por espionagem.
A libertação de Gerardo Hernández, Ramón Labanino e Antonio Guerrero foi anunciada no mesmo dia em que o regime de Havana libertou o norte-americano Alan Gross, detido há cinco anos em Cuba, também por espionagem.
O Parlamento cubano conta com 612 membros e não tem representantes da oposição. A reunião de seus membros ocorre duas vezes por ano.
A sessão de hoje, fechada à imprensa internacional, foi convocada para rever o progresso do Plano Econômico Anual, que não cumpriu o objetivo de crescimento fixado em 2,2% para este ano. Segundo representantes do Conselho de Ministros no início do ano, Cuba deverá crescer apenas 1,3% em 2014.
 
Agência Brasil