sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Cinco entraves nas relações entre Cuba e EUA que devem marcar a visita de Obama à ilha


A visita de um presidente americano a Cuba, algo esperado há quase 90 anos, está prestes a acontecer. A viagem foi anunciada pelo próprio presidente Barack Obama nesta quinta-feira em seu Twitter.

Havana será uma das paradas de do giro que Obama fará pela região, mas com certeza será a que vai receber mais atenção pelo processo de aproximação dos dois países, que teve início em 17 de dezembro de 2014.

No entanto, a visita de Obama deve ser acompanha por críticas e obstáculos que seguem impedindo que as relações entre Estados Unidos e Cuba sejam totalmente normais. Veja os principais entraves:
O embargo

"Não poderá haver relações normais entre Cuba e EUA enquanto for mantido o embargo econômico, comercial e financeiro", disse o governo cubano ao anunciar o restabelecimento de sua embaixada em Washington, em meados do ano passado.

O embargo econômico dos EUA sobre a ilha está vigente desde 1962 e é a resposta do país ao confisco de bens de cidadãos e empresas americanas em Cuba, após a revolução encabeçada por Fidel Castro, em 1959.

O próprio Obama defende que se acabe com o embargo, mas não pode fazer isso sozinho: por se tratar de uma lei, é uma decisão do Congresso.

Diante disso, Obama tem se valido de medidas executivas para flexibilizar as restrições em setores que incluem serviços empresariais, viagens, telecomunicações e remessas.

Guantánamo

Havana e Washington têm opiniões diferentes sobre a região onde está localizada a base naval americana de Guantánamo em Cuba.

O governo cubano já pediu diversas vezes que o território seja devolvido e vê nesse ponto uma condição imprescindível para a normalização dos laços com os EUA.

O fechamento da prisão foi uma das primeiras promessas eleitorais da primeira campanha de Obama, em 2008. Devolver o território, no entanto, nunca foi algo cogitado pelos EUA.

Por ser um tema que afeta diretamente os planos da defesa e segurança, as negociações sobre esse ponto não têm sido tão públicas quanto as ligada ao embargo.

As reparações

O governo cubano também exigiu que "se compensasse o povo cubano pelos danos humanos e econômicos provocados pelas políticas dos Estados Unidos". Isso nos leva a outra das contas pendentes entre os dois países: as reparações.

Os EUA quer compensações de Cuba pelos bens dos americanos confiscados durante a Revolução. O Departamento de Justiça americano têm 8.821 pedidos ligados a isso, entre empresas e indivíduos do país que afirmam ter perdido suas propriedades. No total, os pedidos somam quase US$ 2 bilhões (em valores de 1960).

Já Cuba pede reparações aos EUA pelos dados causados desde o início do embargo. Segundo o informe "Cuba vs Embargo", apresentado pelo país na Assembleia Geral da ONU em 2014, esses danos somam US$ 1,11 trilhão.

Democracia e direitos humanos

Há quase um ano, delegações dos dois países se reuniram em Washington para definir a agenda de um futuro diálogo, no que dizia respeito aos direito humanos.

Os EUA insistem que querem ver melhorias nesse aspecto. Mas, do ponto de vista cubano, são os EUA que devem reconhecer sua forma de "democracia popular e participativa", como qualificam seus sistema de governo.

O principal problema, afirmam os especialistas, é Washington querer impor seus "valores democráticos" e Havana querer que seu sistema político de "democracia participativa" com partido único seja reconhecido.
Política de imigração

Em 1966, os EUA colocou em marcha a chamada "Lei de Ajuste", que permite que cubanos solicitem residência permanente ao fim de um ano e um dia após chegar ao território americano.

Nesse sentido, a Casa Branca não fez anúncios de que irá mudar sua política migratória para Cuba.

Esse é um tema polêmico no Congresso dos EUA, em que há legisladores que consideram que é uma forma de proteger os cubanos do regime castristas, enquanto outros acreditam que é um benefício de que alguns cubanos se aproveitam.

E as implicações dessa política foram sentidas em vários países da América Latina, que tiveram de lidar com um fluxo cada vez maior de cubanos que tentam chegar aos EUA antes que a lei mude.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Raúl Castro faz visita histórica à França


Em sua primeira viagem oficial à Europa, líder cubano é recebido com honras militares em Paris. Presidente francês destaca "nova fase" nas relações bilaterais e pede que EUA removam embargo a Havana.

O presidente cubano, Raúl Castro, iniciou nesta segunda-feira (01/02) uma visita de dois dias à França. A viagem oficial, a primeira dele à Europa, é vista como um passo fundamental para uma reaproximação de Cuba com o Ocidente.

Com direito a honras militares, Castro foi recebido pela ministra francesa do Meio Ambiente, Ségolène Royal, sob o Arco do Triunfo, um dos símbolos de Paris. O líder percorreu ainda a famosa avenida Champs-Elysées, especialmente decorada com bandeiras de Cuba e da França. Trata-se da primeira visita de um chefe de Estado cubano à capital francesa em mais de 20 anos.

A polícia francesa restringiu fortemente o acesso do público, e apenas alguns grupos de simpatizantes do regime cubano estiveram presentes na cerimônia.

Castro foi recebido pelo presidente François Hollande com um abraço, em frente ao Palácio do Eliseu. Numa coletiva de imprensa após o encontro bilateral, o líder francês pediu que o presidente dos EUA, Barack Obama, finalmente remova o embargo comercial imposto a Cuba.

"Obama, que fez vários gestos, deve, como ele mesmo disse, ir até o final e permitir que este vestígio da Guerra Fria termine", disse Hollande. Ele afirmou que a França sempre esteve convencida da necessidade de acabar com o embargo, apesar das tensões internacionais.

Castro, por sua vez, agradeceu Hollande pela mensagem contra o bloqueio comercial e por exercer um "papel de liderança" nas relações entre Cuba e a União Europeia.

Castro agradeceu a França por interceder a favor da ilha nas negociações com o chamado Clube de Paris sobre a dívida cubana. O grupo reestruturou em dezembro uma dívida milionária de Cuba. O acordo é considerado chave para possibilitar o acesso de Havana a créditos em âmbito internacional.

Hollande, que foi a Cuba em maio do ano passado, descreveu a visita de Castro como "uma nova fase no fortalecimento das relações entre os dois países".

Abertura internacional

A visita de Castro à França se insere numa gradual abertura internacional da ilha comunista, que restaurou as relações diplomáticas com os Estados Unidos no ano passado.

O presidente assumiu a presidência do país em 2008, depois que o irmão Fidel Castro, no poder desde 1976, adoeceu. Fidel foi o último chefe cubano a viajar à França, em 1995, mas, na ocasião, não foi recebido com honras de uma visita de Estado.

Castro chegou a Paris no sábado, mas iniciou a programação oficial somente nesta segunda-feira. Na terça-feira, ele deve se reunir com o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, e com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

sábado, 15 de agosto de 2015

EUA reabrem embaixada em Cuba depois de 54 anos de rompimento

Secretário de Estado americano foi à Havana para a cerimônia.
Barreira política entre os dois países começou em janeiro de 1961.

Fabio Turci Nova York, EUA
Na sexta-feira (14), os Estados Unidos reabriram a embaixada em Cuba, mas as relações entre os dois países ainda estão bem distantes da normalidade.
Na embaixada americana, a bandeira no alto demarca o território da relação diplomática. Já nas ruas de Havana, o que simboliza a reconciliação é estar não acima mas ao lado da bandeira de Cuba e, olhando para as duas próximas, com listras, estrelas e com as mesmas cores, não é que até se parecem?
O povo em Havana celebrou a proximidade, mas, nos Estados Unidos, cubanos que vivem em Miami protestaram. É o retrato de uma reaproximação cheia de diferenças.
O secretário de Estado americano, John Kerry, foi à Havana para a cerimônia, elogiou a retomada do diálogo, mas criticou o regime cubano: "O povo de Cuba seria melhor atendido por uma democracia genuína, onde as pessoas são livres pra escolher seus líderes e onde há mais compromisso com a justiça econômica e social".
O ministro cubano de Relações Exteriores, Bruno Rodrigues, devolveu: "Cuba se sente muito orgulhosa por garantir o exercício pleno dos direitos humanos".
O rompimento entre os dois países foi em janeiro de 1961, pouco depois da Revolução Comunista que levou Fidel Castro ao poder. Em plena Guerra Fria, a União Soviética conquistava um aliado no quintal dos Estados Unidos.
Desde que EUA e Cuba anunciaram a retomada das relações diplomáticas, em dezembro do ano passado, o governo americano facilitou a importação de alguns produtos cubanos, retirou Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo, autorizou algumas categorias de profissionais a viajar pra ilha sem ter que pedir autorização.
Mas turista ainda não pode ir dos EUA para Cuba e o embargo econômico continua valendo. Só pode ser derrubado pelo Congresso americano.

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Papa Francisco recebe presidente cubano Raúl Castro para retomada das relações diplomáticas

Encontro privado durou quase uma hora, o que é bastante para os padrões diplomáticos do Vaticano
Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
  
O presidente de Cuba, Raúl Castro, foi recebido no domingo (10) pelo papa Francisco, que mediou um acordo entre Havana e Washington para a retomadas das relações diplomáticas. O encontro privado durou quase uma hora, o que é bastante para os padrões diplomáticos do Vaticano.
Ao sair, Castro disse a jornalistas que agradeceu Francisco “pelo que ele fez”, referindo-se à intermediação com os EUA. O papa, que é argentino e conversou com o presidente cubano em espanhol, estava de bom humor.
Presidente de Cuba, Raúl Castro, se reuniu com o Papa Francisco no Vaticano.(Foto: Vincenzo Pinto/AFP)
“Acho que arruinei o domingo de vocês”, brincou com os jornalistas. Ele deu a Castro uma medalha de São Martinho de Tours. “Com seu manto ele cobre os pobres”, disse o pontífice ao líder cubano.
O irmão de Raúl, Fidel, que governou Cuba por décadas, havia se encontrado com o papa João Paulo II no Vaticano em 1996, abrindo caminho para a visita do líder católico à ilha em 1998. O antecessor de Francisco, o papa Bento XVI, também esteve em Havana.
Já no sábado (9), na capital cubana, a filha de Rául Castro, Mariela, apoiou uma cerimônia de união entre casais homossexuais, mesmo o casamento gay sendo proibido na ilha. Mariela dirige o Centro de Educação Sexual, que tem defendido os direitos dos gays, e o evento faz parte das preparações para o Dia Global contra a Homofobia, em 17 de maio.
Embora Mariela tenha sido cuidadosa para não chamar a cerimônia de “casamento”, duas dezenas de casais gays receberam as bênçãos de clérigos protestantes vindos dos EUA e Canadá. Ela não participou pessoalmente do evento, mas liderou uma caminhada pelos direitos dos homossexuais

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Obama e Raúl Castro dão aperto de mão durante a Cúpula das Américas

Na abertura da cúpula, na noite de sexta-feira (10), todos os olhos estavam voltados para o momento histórico entre líderes de Cuba e Estados Unidos.

Hélter DuarteCidade do Panamá, Panamá
A reaproximação diplomática entre Cuba e os Estados Unidos e as severas críticas às violações de direitos humanos na Venezuela dominam a Cúpula das Américas, no Panamá.
Pela primeira vez, os 35 países do continente participam do encontro. Na abertura da cúpula, na noite de sexta-feira (10), todos os olhos estavam voltados para Cuba e Estados Unidos. O aperto de mão de Barack Obama e Raúl Castro é o símbolo da reaproximação.
Na noite de sexta (10), o americano John Kerry e o cubano Bruno Rodriguez conversaram por mais de duas horas em um hotel, na Cidade do Panamá. Foi o primeiro encontro entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países desde 1958.
Um assessor da Casa Branca afirmou que a tão aguardada reunião entre Barack Obama e Raúl Castro deve ocorrer só no sábado (11), às margens da cúpula.
Outro tema importante são as violações de direitos humanos na Venezuela, denunciadas por 25 ex-líderes ibero-americanos numa declaração, que exige a libertação imediata de prisioneiros políticos.
O governo brasileiro vai aproveitar a cúpula para uma reaproximação com os Estados Unidos. As relações andam mornas desde que a presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado a Washington, em setembro de 2013, por causa da denúncia de que ela foi espionada pela NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
O encontro entre Dilma e Obama está confirmado para a tarde de sábado (11). A visita de trabalho da presidente brasileira aos Estados Unidos deve acontecer em junho ou julho deste ano.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

UNESCO: Cuba é único país latino-americano a atingir objetivos de educação

atualizado às 22h48

Na América Latina e no Caribe, apenas Cuba atingiu os seis objetivos de Educação para Todos da UNESCO no período 2000-2015, informou nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.
Quinze anos após o lançamento, em Dakar, da iniciativa Educação para Todos, a missão fixada pela UNESCO não foi cumprida, apesar de alguns progressos.
"Apenas um a cada três países do mundo atingiu a totalidade dos objetivos mensuráveis da Educação para Todos (EPT) estabelecidos no ano 2000", destaca o relatório de acompanhamento do programa, assinalando que "na América Latina e no Caribe, Cuba foi a única nação a cumprir estes objetivos".
O principal objetivo - a escolarização universal de todas as crianças em idade de cursar o ensino fundamental - foi atingido por apenas a metade dos países, tanto na América Latina como em todo o mundo, destacou a UNESCO, um mês antes do Fórum Mundial de Educação em Incheon, na Coreia do Sul.
"Mas em todo o mundo foram registrados progressos impressionantes", destacou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. "Conseguimos o ingresso no ensino fundamental de milhões de crianças que não estariam lá se persistissem as tendências predominantes na década de 90".
"Para que a universalização da educação chegue a ser uma realidade, é necessário adotar estratégias específicas e financiá-las adequadamente para dar prioridade às crianças mais pobres, especialmente às meninas, visando melhorar a qualidade do ensino e reduzir as diferenças no grau de alfabetização", acrescentou Bokova.
O relatório assinala que serão necessários 22 bilhões de dólares anuais para completar as contribuições previstas pelos governos visando garantir o sucesso dos novos objetivos em matéria de educação para o período 2015-2030.
Segundo o relatório, mais da metade dos países da região conseguiram a universalização do ensino fundamental, "mas ainda há 3,7 milhões de crianças sem escolarização".
"Mais de um quinto dos alunos do ensino fundamental da região abandonam a escola antes de terminar este ciclo de aprendizado" e esta situação "não sofreu qualquer mudança desde 1999".
"Os índices de analfabetismo caíram em 26% em toda a região, um percentual muito distante dos 50% previstos neste objetivo", assinala a UNESCO, que estima que apenas Bolívia, Peru e Suriname "vão atingir a meta estabelecida".
A UNESCO estima em 33 milhões o número de adultos "que carecem de conhecimentos básicos de leitura e escrita" na América Latina, "sendo 55% mulheres".
O relatório emite uma série de recomendações, entre elas a obrigação de se "cursar um ano de ensino pré-escolar no mínimo", uma "educação gratuita que deve abranger cadernos, livros, uniformes e transporte escolar", a aplicação dos "convênios internacionais sobre idade mínima" para o trabalho, a adequação das políticas de alfabetização às "necessidades das comunidades" e a redução das "disparidades de gênero em todos os níveis".
AFP    

sábado, 10 de janeiro de 2015



Marcado primeiro encontro EUA-Cuba sob silêncio de Fidel

por Abel Coelho de MoraisHoje2 comentários
Marcado primeiro encontro EUA-Cuba sob silêncio de Fidel
Fotografia © Reuters


Havana começou a libertar opositores políticos, uma das condições para o reatamento de relações diplomáticas com os EUA.

A primeira ronda de negociações entre os Estados Unidos e Cuba para a normalização das relações bilaterais irá realizar-se nos próximos dias 21 e 22 em Havana, foi ontem confirmado em Washington, fazendo-se o governo americano representar pela vice-secretária de Estado para a América Latina, Roberta Jacobson. O anúncio da data do encontro coincidiu com a notícia de terem sido libertados, pelo menos, 26 opositores ao regime castrista desde quinta-feira.
A libertação de 53 presos políticos do regime era uma das condições colocadas por Washington para o início das negociações para a normalização das relações EUA-Cuba. Washington não divulgou o nome das pessoas constantes da lista com o argumento de que poderia comprometer a sua libertação. As agências, citando meios da oposição cubana refugiada em Miami e elementos da ONG Senhoras de Branco, que apoia os presos políticos, indicavam que a maioria dos libertados cumpria penas de dois a cinco anos. O condenado a uma pena mais longa era o o músico de hip-hop, Angel Yunier Remon, que cumpria oito anos por ter escrito "Abaixo a Ditadura" numa parede da cidade onde vive, Bamayo.
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